quarta-feira, 16 de abril de 2014

Um mês de EUA.

Um mês. Dia 23 vai fazer um mês que cheguei aqui. Honestamente não parece que faz tudo isso que cheguei. Primeiro porque eu ainda não conheço tudo o que tem pra conhecer em Corvallis. Isso porque a cidade é menor que a minha (com proporcional quantidade de lugar pra ir). Sinto como se tivesse tanta coisa que deveria ter feito nessas quatro semanas. Como eu já disse em outros posts, aqui a cidade é muito bonita e convidativa. Não é difícil gostar de Corvallis, porque aqui todos são gentis, a cidade é segura e vivemos num mundo alheio de tudo. É esquisito isso. Esquisito não saber o que se passa no Brasil, todos os dias. Alias, to tão longe de um noticiário que não sei nem o que acontece nos EUA nesse momento. Meu mundo se limita a essa cidade minuscula e charmosa, onde fiz amigos (brasileiros e árabes e japoneses e um americano – yes!)

Mas esse post não é sobre reflexões sobre minha utopia de Corvallis (porque essa segurança toda chega a ser surreal a ponto de parecer utopia). Esse post é para falar desse um mês que passei aqui. A chegada, como eu já disse, foi bem tranquila. Na primeira semana tivemos orientações sobre tudo. Sério, tudo mesmo. Uma das que todo mundo mais se lembra é sobre “ter um encontro”. Primeiro de tudo, você só pode encostar alguém americano – e isso inclui abraços, carinho, pulos, hi 5 e etc – se a pessoa permitir. Ou seja, você tem que pedir. O melhor de tudo é ficar distante dos americanos. É mais seguro pra você e para ele. Distancia de um braço. Ninguém fica doente, ninguém se ofende e ninguém corre o risco de ser acusado de estupro. Outra coisa, aqui eles tem tanto medo de falar fazer de sexo (falando sério isso) que ate camisinha de dedo existe.



Nessa mesma semana tivemos a chance de ir a uma balada aqui. Em Corvallis existem dois lugares com balada. Fomos naquela que mais tinha gente da OSU. O lugar é massa. É bem balada mesmo. Com a diferença que menor de 21 nem entra e a bebida é barata. Sabe aqueles drinks super elaborados e metidos? Pois é, não é caro não. Vale a pena, se você pode e gosta de curtir esse tipo de coisa. A diferença entre essa balada e a nossa (alem do preço da bebida) tá nos americanos mesmo. Aqui beijar um cara numa balada – logo no dia em que conheceu o cara – é considerado coisa de biscate. Mas se esfregar num cara aleatorio (LITERALMENTE!) é normal. Sabe baile funk? As garotas aqui se dariam bem nele. É esse o nivel da esfregação aqui.

é literalmente assim que as grigas dançam.


Depois as aulas em si começaram. Como somos do grupo B2, nosso edital inclui o curso de inglês. Todo mundo tem que fazer umas provas de diagnosticos para saber qual seu nível de inglês. O ideal é que você fique do intermediário para o avançado, porque daí você consegue chegar logo no acadêmico. Para chegar ao acadêmico na OSU é preciso nivel 6. O cronograma de aulas é bem diferente do que temos no Brasil. As aulas geralmente tem só 50 minutos (cada matéria) e depois você tem o resto do dia de homework. Essa palavra vai virar seu pesadelo se você quiser/conseguir fazer um curso aqui. Todo dia tem homework, um pior do que o outro e de todas as materias que você tiver. Então, é bom ter noção de que esse programa não é viagem o tempo todo. Viajar e conhecer onde você vai viver pelos próximos meses é essencial, mas você veio para estudar e não deve esquecer disso. Mas é dificil. Chega o fim de semana, a primeira coisa que você quer fazer é esquecer a palavra homework (mesmo que tenha 200 quilos para a segunda seguinte).

E é nessas que você viaja. Fim de semana passado tive a oportunidade de conhecer o litoral do Oregon. A OSU é muito legal, porque eles programam viagens ao longo do termo e o foco sempre é mostrar os pontos turisticos para os alunos estrangeiros. Foi numa dessas que me deparei com Newport e conheci o Oceano Pacífico. Sempre amei o mar. Sempre. É tipo meu cenário de vida. Se tiver mar, pronto, to feliz. A sensação de estar de frente ao Oceano Pacifico foi a mesma de todas as vezes que me encontrei com o Atlântico. Paz. Medo. Fascinação. E com isso eu fui obrigada a entrar no mar – mesmo que só os pés. É dificil descrever isso num texto, então vou me limitar a colocar algumas fotos.







A viagem foi de um único dia, mas foi suficiente para achar a cidade linda. Apesar do frio, Newport e o mar que banha essa cidade são lindos. Com certeza quero voltar lá com a minha família e mostrar como o mar aqui tem cor e temperatura diferentes do mar no Brasil, mas com igual fascínio e beleza. Um beijo grande e até o próximo post. 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Foto da semana

Entrada do prédio onde moro aqui. 

Saudade e choque cultural

Não achei que fosse escrever sobre isso tão cedo, mas hoje a saudade bateu muito, mas muito forte. Estar longe da família, quando você sempre a teve por perto, é muito ruim. Claro que isso depende de cada pessoa. Algumas pessoas sentem falta da família, mas não sentem a necessidade de ver e conversar todo dia. Acho que isso depende muito do relacionamento familiar de cada um para com seus familiares. Mas pra mim, hoje foi um dia dificil.

Primeiro de tudo, todo dia chove em Corvallis. Todo dia. Eu sempre fui uma pessoa que curte chuva. Sério. Sempre pedi muito pra São Pedro fazer chover em São Carlos. Mas aqui. Velho, aqui nem precisa rezar, sempre que você precisar ir a algum lugar em outro predio, você vai sair na chuva. Não falha nunca. Todo dia chove nesse lugar. Chega a ser cansativo, entediante e uma hora isso estressa. Hoje o sol finalmente (FINALMENTE MESMO) saiu aqui e, por incrivel que pareça, foi meu pior dia.

Acordei num mau humor do cão, dando patada em quase todo mundo. Pedindo para os amigos que fiz aqui me fazerem companhia – mesmo levando patada sem querer – porque eu to estressada. O choque cultural tem sido a parte mais dificil nesse processo. Não é só saudade, é que tudo é diferente. A comida é diferente, meu quarto é diferente, o horario de aula é diferente e o jeito que você vai estudar também. Não tem nenhum tipo de rotina. E isso é conflitante. Porque a vida inteira a gente reclama da rotina. Quando ela finalmente muda, vem esse choque cultural dando um tapa na sua cara. Tava achando que ia ser moleza? SABE DE NADA, INOCENTE.




O mais irritante nisso tudo é ficar assim sem motivo. Porque é uma puta de uma oportunidade boa. Eu tenho a chance de estudar numa das melhores universidades daqui – quiça do mundo (se pa). Fiz novos amigos – muito bons amigos – que tambem estão passando por esse processo. As pessoas aqui são gentis e pacientes. Não tem do que reclamar. Mas ai a saudade bate junto com esse choque e ai porra fica séria você acaba ficando levemente estressado. Coisa super comum, mas senti essa necessidade de colocar isso em palavras. Prometo que o próximo post vai ser mais animado e sobre coisas legais daqui. Beijo.