segunda-feira, 19 de maio de 2014

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Indefinita

Um dia desses me sugeriram tatuar a palavra “indefinita” porque dizem que lembram de mim ao ouvir a palavra. Depois fiquei pensando: qual o motivo dessa palavra ser tão eu? Quem acompanha o blog sabe que escolhi esse nome porque significa “sem fronteiras”, mas e ai? Quando escolhi o nome, eu só procurava um nome bonitinho que identificasse o blog como de uma aluna do Ciências Sem Fronteiras. Mas depois que cheguei aqui e passei esses dois (quase) meses aqui eu acho que acabei me encaixando na palavra.

Fiquei pensando, indefinita significa sem fronteiras. Mas eu ultrapassei minhas barreiras? O que eu fiz para esse nome combinar tanto comigo a ponto das pessoas comentarem? E ai veio a explicação numa clareza, que fiquei chocada com como as coisas se encaixam mesmo quando nao sabemos do futuro. Eu não tinha ideia de que ia me encaixar na palavra. Para mim, era só um jeito legal de dizer que estou num intercambio. Mas analisando todos os meus momentos aqui, faz todo sentido do mundo.

No dia 10 desse mês a universidade organizou outra viagem dessas para conhecer o Oregon. Dessa vez fomos conhecer o Silver Falls State Park. É uma trilha que passa por várias cachoeiras simplesmente lindas aqui do Oregon. O parque é bem famoso por aqui. O motivo de eu ter ido nessa viagem foi mais espiritual do que vontade propria mesmo. Minhas amigas no Brasil sabem que não sou de fazer trilhas. Mas lá estava eu, usando a Umbanda como desculpa. Eu tinha (tinha mesmo) que agradecer à minha mãe Oxum pelas graças que eu tenho tido desde que cheguei aqui. Era minha oportunidade de ficar proxima dela de alguma forma. (Para quem não sabe, Oxum é orixá do amor, do ouro e das cachoeiras e sua morada são elas. Na minha religião, Oxum é minha mãe e Xangô meu pai. E Eles guiam meus passos para ficar mais próxima de Deus. Mas essa é uma conversa filosofica demais para esse blog).

Enfim, la fui eu comprar rosas amarelas para poder agradecer pelas bençãos da minha vida assim que chegasse à cachoeira. Mas foi bem mais que isso. Cheguei ao lugar e assim que vi a primeira cachoeira a sensação foi tao forte, mas tão forte que eu acabei me emocionando. E muito. Fiz a trilha toda sentindo aquela presença comigo. Depois, em uma das duas cachoeiras que vimos, fiquei entre a cachoeira e as pedras e nossa, foi uma coisa inexplicavel. Indescritível. Absurdamente forte. Meu coração parou por dois segundos ali.

Se um dia você, caro leitor, tiver a oportunidade de conhecer mais sobre a Umbanda e sobre os orixás e ainda tiver vontade de conhecer o Oregon, Silver Falls é o lugar. Mas a jornada tambem teve dificuldades e foi onde eu percebi que eu realmente to ultrapassando fronteiras pessoais. Eu nunca fui uma pessoa de academia, de ginastica, de corrida. Sempre optei por ficar em casa. Meu lugar favorito era uma biblioteca. Mas eu estava ali, fazendo aquela trilha. Na volta eu quase morri. Imagine uma pessoa sedentária fazendo uma trilha pesada. Pois é. Mas eu fiz e fui onde todos os outros tinham ido. Foi meio que uma conquista ter conseguido subir o caminho de volta para sair da trilha.






E com o descarrego espiritual que foi encontrar a pedreira e a cachoeira juntas, veio o descarrego emocional. Chorei como nunca. Chorei em publico, coisa que raramente faço depois que fiquei adulta. Chorei como criança de novo. Chorei de saudade de casa. Chorei pela minha conquista. Chorei porque caiu minha ficha que eu to nos EUA!! Chorei pela minha familia, minha mãe (dia seguinte seria Dia das Mães). Chorei pelos amigos que fiz aqui. Pelos que deixei no Brasil. Chorei por mim. Chorei pela dor nas pernas e no pulmão, por causa da dificuldade fisica que foi aquela trilha. Chorei como se nunca mais fosse chorar de novo. E por mais que eu tentasse, não conseguia parar. Foi uma das sensações mais fortes que tive na minha vida.


Pensando, quase duas semanas depois desse evento, em como a palavra INDEFINITA se encaixa na minha vida eu lembro de todos os motivos pelos quais eu chorei. Sim, eu quebrei minhas barreiras pessoais, psicologicas, para estar aqui. Não vale a pena ficar lamentando a saudade. Eu lutei por esse intercâmbio e tenho que continuar lutando até o fim. Sim, sai da minha zona de conforto. Vim parar num país com costumes diferentes, língua diferente, clima diferente e sem a ajuda de ninguem. Minha fé me trouxe aqui. Realmente, a palavra combina comigo. E sim, farei a tatuagem assim que puder. Obrigada Ligia, por me fazer ver tudo isso com sua sugestão.