Um dia desses me sugeriram tatuar a palavra “indefinita” porque dizem que lembram de
mim ao ouvir a palavra. Depois fiquei pensando: qual o motivo dessa palavra ser
tão eu? Quem acompanha o blog sabe que escolhi esse nome porque significa “sem
fronteiras”, mas e ai? Quando escolhi o nome, eu só procurava um nome bonitinho
que identificasse o blog como de uma aluna do Ciências Sem Fronteiras. Mas
depois que cheguei aqui e passei esses dois (quase) meses aqui eu acho que
acabei me encaixando na palavra.
Fiquei pensando, indefinita significa sem fronteiras. Mas eu
ultrapassei minhas barreiras? O que eu fiz para esse nome combinar tanto comigo
a ponto das pessoas comentarem? E ai veio a explicação numa clareza, que fiquei
chocada com como as coisas se encaixam mesmo quando nao sabemos do futuro. Eu não
tinha ideia de que ia me encaixar na palavra. Para mim, era só um jeito legal
de dizer que estou num intercambio. Mas analisando todos os meus momentos aqui,
faz todo sentido do mundo.
No dia 10 desse mês a universidade organizou outra viagem
dessas para conhecer o Oregon. Dessa vez fomos conhecer o Silver Falls State
Park. É uma trilha que passa por várias cachoeiras simplesmente lindas aqui do
Oregon. O parque é bem famoso por aqui. O motivo de eu ter ido nessa viagem foi
mais espiritual do que vontade propria mesmo. Minhas amigas no Brasil sabem que
não sou de fazer trilhas. Mas lá estava eu, usando a Umbanda como desculpa. Eu tinha
(tinha mesmo) que agradecer à minha mãe Oxum pelas graças que eu tenho tido
desde que cheguei aqui. Era minha oportunidade de ficar proxima dela de alguma
forma. (Para quem não sabe, Oxum é orixá do amor, do ouro e das cachoeiras e
sua morada são elas. Na minha religião, Oxum é minha mãe e Xangô meu pai. E
Eles guiam meus passos para ficar mais próxima de Deus. Mas essa é uma conversa
filosofica demais para esse blog).
Enfim, la fui eu comprar rosas amarelas para poder agradecer
pelas bençãos da minha vida assim que chegasse à cachoeira. Mas foi bem mais
que isso. Cheguei ao lugar e assim que vi a primeira cachoeira a sensação foi
tao forte, mas tão forte que eu acabei me emocionando. E muito. Fiz a trilha
toda sentindo aquela presença comigo. Depois, em uma das duas cachoeiras que
vimos, fiquei entre a cachoeira e as pedras e nossa, foi uma coisa
inexplicavel. Indescritível. Absurdamente forte. Meu coração parou por dois
segundos ali.
Se um dia você, caro leitor, tiver a oportunidade de
conhecer mais sobre a Umbanda e sobre os orixás e ainda tiver vontade de
conhecer o Oregon, Silver Falls é o lugar. Mas a jornada tambem teve
dificuldades e foi onde eu percebi que eu realmente to ultrapassando fronteiras
pessoais. Eu nunca fui uma pessoa de academia, de ginastica, de corrida. Sempre
optei por ficar em casa. Meu lugar favorito era uma biblioteca. Mas eu estava
ali, fazendo aquela trilha. Na volta eu quase morri. Imagine uma pessoa
sedentária fazendo uma trilha pesada. Pois é. Mas eu fiz e fui onde todos os
outros tinham ido. Foi meio que uma conquista ter conseguido subir o caminho de
volta para sair da trilha.
E com o descarrego espiritual que foi encontrar a pedreira e
a cachoeira juntas, veio o descarrego emocional. Chorei como nunca. Chorei em
publico, coisa que raramente faço depois que fiquei adulta. Chorei como criança
de novo. Chorei de saudade de casa. Chorei pela minha conquista. Chorei porque
caiu minha ficha que eu to nos EUA!! Chorei pela minha familia, minha mãe (dia
seguinte seria Dia das Mães). Chorei pelos amigos que fiz aqui. Pelos que
deixei no Brasil. Chorei por mim. Chorei pela dor nas pernas e no pulmão, por causa
da dificuldade fisica que foi aquela trilha. Chorei como se nunca mais fosse
chorar de novo. E por mais que eu tentasse, não conseguia parar. Foi uma das
sensações mais fortes que tive na minha vida.
Pensando, quase duas semanas depois desse evento, em como a
palavra INDEFINITA se encaixa na minha vida eu lembro de todos os motivos pelos
quais eu chorei. Sim, eu quebrei minhas barreiras pessoais, psicologicas, para
estar aqui. Não vale a pena ficar lamentando a saudade. Eu lutei por esse intercâmbio
e tenho que continuar lutando até o fim. Sim, sai da minha zona de conforto. Vim
parar num país com costumes diferentes, língua diferente, clima diferente e sem
a ajuda de ninguem. Minha fé me trouxe aqui. Realmente, a palavra combina
comigo. E sim, farei a tatuagem assim que puder. Obrigada Ligia, por me fazer
ver tudo isso com sua sugestão.

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