Burocracia. Essa é a palavra para os editais do Ciências Sem
Fronteiras para os Estados Unidos. Não sei como é nos demais editais, falo do
que estou vivendo nesse momento. A burocracia vem dos dois lados, tanto do
brasileiro quanto to americano. Quando você se inscreve – pelo menos foi assim
comigo – você imagina que vai rolar algum tipo de burocracia com o pedido de
visto e etc, mas é bem mais que isso. Já postei coisas sobre isso aqui, então
não vou me prolongar muito.
Hoje venho falar das coisas além da burocracia usual (common
application, pedido de visto etc), vou tentar escrever sobre o que você tem que
fazer por fora do que ta no edital. Primeiro
de tudo, quando você se inscreve num edital como esse, deve correr atrás do
passaporte. Essa é a primeira coisa que você deve fazer, antes mesmo de se
inscrever. Falo isso porque vi um monte de gente – um monte mesmo – se inscrevendo,
fazendo toefl e etc sem passaporte. Gente, como é que vai viajar sem
passaporte, me diz? Muita gente perde a chance de ir com esse simples
documento. Por quê? Porque deixou para fazer na ultima hora.
Então, meu amigo, minha amiga, se você viu aquele amigo de
classe saindo do Brasil, independente do edital, e pensou “se ele consegue, eu também consigo”, corre fazer seu passaporte. É
bem simples. Entra lá no site da policia federal e preenche o cadastro de
agendamento. Você vai ter que pagar uma pequena só que não taxa de R$157,00 e depois de mais ou menos uns
quinze dias, comparecer no local para passaporte da sua cidade. Em São Carlos
esse lugar fica na Casa do Trabalhador, bem na avenida São Carlos, próximo à
antiga prefeitura municipal. Fácil. Feito isso, você espera mais uns quinze dias
e pronto, seu passaporte lindo e cheirosinho estará pronto para uso. Agora sim,
você pode se inscrever no Ciências sem Fronteiras.

Esse
é só o começo da burocracia toda. Daí para a frente será uma corrida contra o
tempo – apesar de sempre parecer que há tempo de sobra – para conseguir documentos,
assinaturas, notas e etc. Você escolhe seu edital, se inscreve, faz o teste de proficiência
(TOEFL ITP, TOEFL IBT, IELTS ou algum outro para outras línguas além do inglês).
Quando me inscrevi, o edital oferecia a chance de fazer o Toefl ITP, que era
gratuito. A nota tirada determina em qual grupo eu ia ficar. No caso do meu
edital, o 143, os grupos eram A, B, B1 e B2. Só dava para se inscrever no A ou
no B, sua nota diria se depois você iria para o B1 ou B2. Acabei no B2. O que
na minha opinião é o mais vantajoso, uma vez que vou ficar um ano e meio nos
Estados Unidos, sendo que seis meses desse tempo de intercambio são exclusivos
para o curso de inglês. Para mim isso foi muito vantajoso. Nunca fiz inglês na
vida, nunca gastei um centavo com cursinho de inglês, e agora vou fazer um pago
pelo governo em solo americano.
Na UFSCar você tem que ter
passaporte, IRA (índice de rendimento acadêmico) alto, mais de 20% e menos de
90% de curso feito, poucas reprovações (esse é um requisito pessoal meu),
imprimir seu Histórico, calcular quanto falta para se formar e daí esperar pela
homologação da faculdade.
Feito isso, volta a burocracia. O
Common Application. Cartas de recomendação, essays, declaração do coordenador
de curso, escolha das universidades são coisas que você vai fazer nessa fase. Lembre,
poder preencher o CoApp (apelidinho “carinhoso” do Common Application) não significa
ainda que você vai – apesar de você estar bem próximo disso. Na minha humilde opinião,
essa é uma das piores fases da inscrição. Escrever essay foi um dos meus
maiores pesadelos semestre passado. Primeiro porque falar de mim sempre foi uma
dificuldade, mesmo em português. Segundo porque escrever em inglês nunca foi
meu forte. Nunca precisei escrever mais do que duas linhas – isso porque eu ia atrás
disso quando jogava RPG (outra vida, outra época, saudades) – e escrever uma
redação com 500 palavras seria um parto. Três foi meu pesadelo. E esse é o
numero. Se prepare.
Depois disso é esperar. Esperar. Esperar.
Dormir. Abrir email. Apertar F5. Esquecer que se inscreveu. Esperar mais um
pouco. Mais um pouco.... multiplique isso por cinco. Esse é o tempo que você vai
esperar pelo TOA. Só depois de receber esse lindinho é que vem a certeza que você
conseguiu.
Daí recomeça a correria por
documentos. Você tem que rubricar as paginas do TOA (todas as 13) e assinar a
14ª. Tem três dias para enviar de volta, com as assinaturas. A 15ª pagina você leva
ao coordenador do seu curso, que também vai assinar e você também deve enviar
de volta assinado. Não esqueça de postar na pagina da CAPES/CNPQ e esperar mais
um pouco. Daí vai ser email atrás de email da capes pedindo alguma coisa. O TOA
(que você já mandou uma vez), o Termo de Compromisso assinado, as cartas de
concessão, histórico sujo, ficha criminal (limpa né, minha gente) entre outras
coisas.
Por fora, você tem que abrir uma
conta num banco qualquer, tentar – eu disse tentar porque provavelmente vai
demorar também – abrir uma conta no BB Américas, fazer uma declaração de plenos
poderes para algum parente de confiança que ficará no Brasil, separar os
documentos que vai levar na semana do Visa (porque vai ser junto com a correria
toda de documentos que você tem que mandar). Se tiver algum estágio ou IC,
cancelar a bolsa o mais rápido possível, porque se não você não recebe sua
parcela inicial da bolsa do CsF. Nesse caso, alem de tudo isso, você ainda vai
ter que fazer seu relatório de IC, então se planeje muito bem. Ah, também tem
que tomar vacinas que sua universidade americana pedir, preencher formulários online
que o advisor pedir, comprar passagem
para a cidade – lembrando que deve desembarcar na mesma cidade que seu TOA
mandar, independente de você ir um mês antes ou não. Ufa!! Agora sim, você pode contar os dias. (que são 20, mas quem ta contando? ).
Fala a verdade. É tanta coisa que até o post ficou gigante. Logo eu farei um post sobre o Visa Day em São Paulo. Beijo grande.