domingo, 2 de março de 2014

Sobre burocracia e correria

Burocracia. Essa é a palavra para os editais do Ciências Sem Fronteiras para os Estados Unidos. Não sei como é nos demais editais, falo do que estou vivendo nesse momento. A burocracia vem dos dois lados, tanto do brasileiro quanto to americano. Quando você se inscreve – pelo menos foi assim comigo – você imagina que vai rolar algum tipo de burocracia com o pedido de visto e etc, mas é bem mais que isso. Já postei coisas sobre isso aqui, então não vou me prolongar muito.

Hoje venho falar das coisas além da burocracia usual (common application, pedido de visto etc), vou tentar escrever sobre o que você tem que fazer por fora do que ta no edital. Primeiro de tudo, quando você se inscreve num edital como esse, deve correr atrás do passaporte. Essa é a primeira coisa que você deve fazer, antes mesmo de se inscrever. Falo isso porque vi um monte de gente – um monte mesmo – se inscrevendo, fazendo toefl e etc sem passaporte. Gente, como é que vai viajar sem passaporte, me diz? Muita gente perde a chance de ir com esse simples documento. Por quê? Porque deixou para fazer na ultima hora.

Então, meu amigo, minha amiga, se você viu aquele amigo de classe saindo do Brasil, independente do edital, e pensou “se ele consegue, eu também consigo”, corre fazer seu passaporte. É bem simples. Entra lá no site da policia federal e preenche o cadastro de agendamento. Você vai ter que pagar uma pequena só que não  taxa de R$157,00 e depois de mais ou menos uns quinze dias, comparecer no local para passaporte da sua cidade. Em São Carlos esse lugar fica na Casa do Trabalhador, bem na avenida São Carlos, próximo à antiga prefeitura municipal. Fácil. Feito isso, você espera mais uns quinze dias e pronto, seu passaporte lindo e cheirosinho estará pronto para uso. Agora sim, você pode se inscrever no Ciências sem Fronteiras.



            Esse é só o começo da burocracia toda. Daí para a frente será uma corrida contra o tempo – apesar de sempre parecer que há tempo de sobra – para conseguir documentos, assinaturas, notas e etc. Você escolhe seu edital, se inscreve, faz o teste de proficiência (TOEFL ITP, TOEFL IBT, IELTS ou algum outro para outras línguas além do inglês). Quando me inscrevi, o edital oferecia a chance de fazer o Toefl ITP, que era gratuito. A nota tirada determina em qual grupo eu ia ficar. No caso do meu edital, o 143, os grupos eram A, B, B1 e B2. Só dava para se inscrever no A ou no B, sua nota diria se depois você iria para o B1 ou B2. Acabei no B2. O que na minha opinião é o mais vantajoso, uma vez que vou ficar um ano e meio nos Estados Unidos, sendo que seis meses desse tempo de intercambio são exclusivos para o curso de inglês. Para mim isso foi muito vantajoso. Nunca fiz inglês na vida, nunca gastei um centavo com cursinho de inglês, e agora vou fazer um pago pelo governo em solo americano.

Na UFSCar você tem que ter passaporte, IRA (índice de rendimento acadêmico) alto, mais de 20% e menos de 90% de curso feito, poucas reprovações (esse é um requisito pessoal meu), imprimir seu Histórico, calcular quanto falta para se formar e daí esperar pela homologação da faculdade.

Feito isso, volta a burocracia. O Common Application. Cartas de recomendação, essays, declaração do coordenador de curso, escolha das universidades são coisas que você vai fazer nessa fase. Lembre, poder preencher o CoApp (apelidinho “carinhoso” do Common Application) não significa ainda que você vai – apesar de você estar bem próximo disso. Na minha humilde opinião, essa é uma das piores fases da inscrição. Escrever essay foi um dos meus maiores pesadelos semestre passado. Primeiro porque falar de mim sempre foi uma dificuldade, mesmo em português. Segundo porque escrever em inglês nunca foi meu forte. Nunca precisei escrever mais do que duas linhas – isso porque eu ia atrás disso quando jogava RPG (outra vida, outra época, saudades) – e escrever uma redação com 500 palavras seria um parto. Três foi meu pesadelo. E esse é o numero. Se prepare.

Depois disso é esperar. Esperar. Esperar. Dormir. Abrir email. Apertar F5. Esquecer que se inscreveu. Esperar mais um pouco. Mais um pouco.... multiplique isso por cinco. Esse é o tempo que você vai esperar pelo TOA. Só depois de receber esse lindinho é que vem a certeza que você conseguiu.

Daí recomeça a correria por documentos. Você tem que rubricar as paginas do TOA (todas as 13) e assinar a 14ª. Tem três dias para enviar de volta, com as assinaturas. A 15ª pagina você leva ao coordenador do seu curso, que também vai assinar e você também deve enviar de volta assinado. Não esqueça de postar na pagina da CAPES/CNPQ e esperar mais um pouco. Daí vai ser email atrás de email da capes pedindo alguma coisa. O TOA (que você já mandou uma vez), o Termo de Compromisso assinado, as cartas de concessão, histórico sujo, ficha criminal (limpa né, minha gente) entre outras coisas.


Por fora, você tem que abrir uma conta num banco qualquer, tentar – eu disse tentar porque provavelmente vai demorar também – abrir uma conta no BB Américas, fazer uma declaração de plenos poderes para algum parente de confiança que ficará no Brasil, separar os documentos que vai levar na semana do Visa (porque vai ser junto com a correria toda de documentos que você tem que mandar). Se tiver algum estágio ou IC, cancelar a bolsa o mais rápido possível, porque se não você não recebe sua parcela inicial da bolsa do CsF. Nesse caso, alem de tudo isso, você ainda vai ter que fazer seu relatório de IC, então se planeje muito bem. Ah, também tem que tomar vacinas que sua universidade americana pedir, preencher formulários online que o advisor pedir, comprar passagem para a cidade – lembrando que deve desembarcar na mesma cidade que seu TOA mandar, independente de você ir um mês antes ou não. Ufa!! Agora sim, você pode contar os dias. (que são 20, mas quem ta contando? ). 
Fala a verdade. É tanta coisa que até o post ficou gigante. Logo eu farei um post sobre o Visa Day em São Paulo. Beijo grande. 



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