segunda-feira, 19 de maio de 2014
Indefinita
Um dia desses me sugeriram tatuar a palavra “indefinita” porque dizem que lembram de
mim ao ouvir a palavra. Depois fiquei pensando: qual o motivo dessa palavra ser
tão eu? Quem acompanha o blog sabe que escolhi esse nome porque significa “sem
fronteiras”, mas e ai? Quando escolhi o nome, eu só procurava um nome bonitinho
que identificasse o blog como de uma aluna do Ciências Sem Fronteiras. Mas
depois que cheguei aqui e passei esses dois (quase) meses aqui eu acho que
acabei me encaixando na palavra.
Fiquei pensando, indefinita significa sem fronteiras. Mas eu
ultrapassei minhas barreiras? O que eu fiz para esse nome combinar tanto comigo
a ponto das pessoas comentarem? E ai veio a explicação numa clareza, que fiquei
chocada com como as coisas se encaixam mesmo quando nao sabemos do futuro. Eu não
tinha ideia de que ia me encaixar na palavra. Para mim, era só um jeito legal
de dizer que estou num intercambio. Mas analisando todos os meus momentos aqui,
faz todo sentido do mundo.
No dia 10 desse mês a universidade organizou outra viagem
dessas para conhecer o Oregon. Dessa vez fomos conhecer o Silver Falls State
Park. É uma trilha que passa por várias cachoeiras simplesmente lindas aqui do
Oregon. O parque é bem famoso por aqui. O motivo de eu ter ido nessa viagem foi
mais espiritual do que vontade propria mesmo. Minhas amigas no Brasil sabem que
não sou de fazer trilhas. Mas lá estava eu, usando a Umbanda como desculpa. Eu tinha
(tinha mesmo) que agradecer à minha mãe Oxum pelas graças que eu tenho tido
desde que cheguei aqui. Era minha oportunidade de ficar proxima dela de alguma
forma. (Para quem não sabe, Oxum é orixá do amor, do ouro e das cachoeiras e
sua morada são elas. Na minha religião, Oxum é minha mãe e Xangô meu pai. E
Eles guiam meus passos para ficar mais próxima de Deus. Mas essa é uma conversa
filosofica demais para esse blog).
Enfim, la fui eu comprar rosas amarelas para poder agradecer
pelas bençãos da minha vida assim que chegasse à cachoeira. Mas foi bem mais
que isso. Cheguei ao lugar e assim que vi a primeira cachoeira a sensação foi
tao forte, mas tão forte que eu acabei me emocionando. E muito. Fiz a trilha
toda sentindo aquela presença comigo. Depois, em uma das duas cachoeiras que
vimos, fiquei entre a cachoeira e as pedras e nossa, foi uma coisa
inexplicavel. Indescritível. Absurdamente forte. Meu coração parou por dois
segundos ali.
Se um dia você, caro leitor, tiver a oportunidade de
conhecer mais sobre a Umbanda e sobre os orixás e ainda tiver vontade de
conhecer o Oregon, Silver Falls é o lugar. Mas a jornada tambem teve
dificuldades e foi onde eu percebi que eu realmente to ultrapassando fronteiras
pessoais. Eu nunca fui uma pessoa de academia, de ginastica, de corrida. Sempre
optei por ficar em casa. Meu lugar favorito era uma biblioteca. Mas eu estava
ali, fazendo aquela trilha. Na volta eu quase morri. Imagine uma pessoa
sedentária fazendo uma trilha pesada. Pois é. Mas eu fiz e fui onde todos os
outros tinham ido. Foi meio que uma conquista ter conseguido subir o caminho de
volta para sair da trilha.
E com o descarrego espiritual que foi encontrar a pedreira e
a cachoeira juntas, veio o descarrego emocional. Chorei como nunca. Chorei em
publico, coisa que raramente faço depois que fiquei adulta. Chorei como criança
de novo. Chorei de saudade de casa. Chorei pela minha conquista. Chorei porque
caiu minha ficha que eu to nos EUA!! Chorei pela minha familia, minha mãe (dia
seguinte seria Dia das Mães). Chorei pelos amigos que fiz aqui. Pelos que
deixei no Brasil. Chorei por mim. Chorei pela dor nas pernas e no pulmão, por causa
da dificuldade fisica que foi aquela trilha. Chorei como se nunca mais fosse
chorar de novo. E por mais que eu tentasse, não conseguia parar. Foi uma das
sensações mais fortes que tive na minha vida.
Pensando, quase duas semanas depois desse evento, em como a
palavra INDEFINITA se encaixa na minha vida eu lembro de todos os motivos pelos
quais eu chorei. Sim, eu quebrei minhas barreiras pessoais, psicologicas, para
estar aqui. Não vale a pena ficar lamentando a saudade. Eu lutei por esse intercâmbio
e tenho que continuar lutando até o fim. Sim, sai da minha zona de conforto. Vim
parar num país com costumes diferentes, língua diferente, clima diferente e sem
a ajuda de ninguem. Minha fé me trouxe aqui. Realmente, a palavra combina
comigo. E sim, farei a tatuagem assim que puder. Obrigada Ligia, por me fazer
ver tudo isso com sua sugestão.
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Um mês de EUA.
Um mês. Dia 23 vai
fazer um mês que cheguei aqui. Honestamente não parece que faz tudo
isso que cheguei. Primeiro porque eu ainda não conheço tudo o que
tem pra conhecer em Corvallis. Isso porque a cidade é menor que a
minha (com proporcional quantidade de lugar pra ir). Sinto como se
tivesse tanta coisa que deveria ter feito nessas quatro semanas. Como
eu já disse em outros posts, aqui a cidade é muito bonita e
convidativa. Não é difícil gostar de Corvallis, porque aqui todos
são gentis, a cidade é segura e vivemos num mundo alheio de tudo. É
esquisito isso. Esquisito não saber o que se passa no Brasil, todos
os dias. Alias, to tão longe de um noticiário que não sei nem o
que acontece nos EUA nesse momento. Meu mundo se limita a essa cidade
minuscula e charmosa, onde fiz amigos (brasileiros e árabes e
japoneses e um americano – yes!)
Mas esse post não é
sobre reflexões sobre minha utopia de Corvallis (porque essa
segurança toda chega a ser surreal a ponto de parecer utopia). Esse
post é para falar desse um mês que passei aqui. A chegada, como eu
já disse, foi bem tranquila. Na primeira semana tivemos orientações
sobre tudo. Sério, tudo mesmo. Uma das que todo mundo mais se lembra
é sobre “ter um encontro”.
Primeiro de tudo, você só pode encostar alguém americano
– e isso inclui abraços, carinho, pulos, hi 5 e etc – se a
pessoa permitir. Ou seja, você tem que pedir. O melhor de tudo é
ficar distante dos americanos. É mais seguro pra você e para ele.
Distancia de um braço. Ninguém fica doente, ninguém se ofende e
ninguém corre o risco de ser acusado de estupro. Outra coisa, aqui
eles tem tanto medo de falar fazer
de sexo (falando sério isso) que ate camisinha de dedo existe.
Nessa
mesma semana tivemos a chance de ir a uma balada aqui. Em Corvallis
existem dois lugares com balada. Fomos naquela que mais tinha gente
da OSU. O lugar é massa. É bem balada mesmo. Com a diferença que
menor de 21 nem entra e a bebida é barata. Sabe aqueles drinks super
elaborados e metidos? Pois é, não é caro não. Vale a pena, se
você pode e gosta de curtir esse tipo de coisa. A diferença entre
essa balada e a nossa (alem do preço da bebida) tá nos americanos
mesmo. Aqui beijar um cara numa balada – logo no dia em que
conheceu o cara – é considerado coisa de biscate. Mas se esfregar
num cara aleatorio (LITERALMENTE!) é normal. Sabe baile funk? As
garotas aqui se dariam bem nele. É esse o nivel da esfregação
aqui.
![]() |
| é literalmente assim que as grigas dançam. |
Depois
as aulas em si começaram. Como somos do grupo B2, nosso edital
inclui o curso de inglês. Todo mundo tem que fazer umas provas de
diagnosticos para saber qual seu nível de inglês. O ideal é que
você fique do intermediário para o avançado, porque daí você
consegue chegar logo no acadêmico. Para chegar ao acadêmico na OSU
é preciso nivel 6. O cronograma de aulas é bem diferente do que
temos no Brasil. As aulas geralmente tem só 50 minutos (cada
matéria) e depois você tem o resto do dia de homework. Essa palavra
vai virar seu pesadelo se você quiser/conseguir fazer um curso aqui.
Todo dia tem homework, um pior do que o outro e de todas as materias
que você tiver. Então, é bom ter noção de que esse programa não
é viagem o tempo todo. Viajar e conhecer onde você vai viver pelos
próximos meses é essencial, mas você veio para estudar e não deve
esquecer disso. Mas é dificil. Chega o fim de semana, a primeira
coisa que você quer fazer é esquecer a palavra homework (mesmo que
tenha 200 quilos para a segunda seguinte).
E
é nessas que você viaja. Fim de semana passado tive a oportunidade
de conhecer o litoral do Oregon. A OSU é muito legal, porque eles
programam viagens ao longo do termo e o foco sempre é mostrar os
pontos turisticos para os alunos estrangeiros. Foi numa dessas que me
deparei com Newport e conheci o Oceano Pacífico. Sempre amei o mar.
Sempre. É tipo meu cenário de vida. Se tiver mar, pronto, to feliz.
A sensação de estar de frente ao Oceano Pacifico foi a mesma de
todas as vezes que me encontrei com o Atlântico. Paz. Medo.
Fascinação. E com isso eu fui obrigada a entrar no mar – mesmo
que só os pés. É dificil descrever isso num texto, então vou me
limitar a colocar algumas fotos.
A
viagem foi de um único dia, mas foi suficiente para achar a cidade
linda. Apesar do frio, Newport e o mar que banha essa cidade são
lindos. Com certeza quero voltar lá com a minha família e mostrar
como o mar aqui tem cor e temperatura diferentes do mar no Brasil,
mas com igual fascínio e beleza. Um beijo grande e até o próximo
post.
quarta-feira, 2 de abril de 2014
Saudade e choque cultural
Não achei que fosse
escrever sobre isso tão cedo, mas hoje a saudade bateu muito, mas
muito forte. Estar longe da família, quando você sempre a teve por
perto, é muito ruim. Claro que isso depende de cada pessoa. Algumas
pessoas sentem falta da família, mas não sentem a necessidade de
ver e conversar todo dia. Acho que isso depende muito do
relacionamento familiar de cada um para com seus familiares. Mas pra
mim, hoje foi um dia dificil.
Primeiro de tudo,
todo dia chove em Corvallis. Todo dia. Eu sempre fui uma pessoa que
curte chuva. Sério. Sempre pedi muito pra São Pedro fazer chover em
São Carlos. Mas aqui. Velho, aqui nem precisa rezar, sempre que você
precisar ir a algum lugar em outro predio, você vai sair na chuva.
Não falha nunca. Todo dia chove nesse lugar. Chega a ser cansativo,
entediante e uma hora isso estressa. Hoje o sol finalmente
(FINALMENTE MESMO) saiu aqui e, por incrivel que pareça, foi meu
pior dia.
Acordei num mau
humor do cão, dando patada em quase todo mundo. Pedindo para os
amigos que fiz aqui me fazerem companhia – mesmo levando patada sem
querer – porque eu to estressada. O choque cultural tem sido a
parte mais dificil nesse processo. Não é só saudade, é que tudo é
diferente. A comida é diferente, meu quarto é diferente, o horario
de aula é diferente e o jeito que você vai estudar também. Não
tem nenhum tipo de rotina. E isso é conflitante. Porque a vida
inteira a gente reclama da rotina. Quando ela finalmente muda, vem
esse choque cultural dando um tapa na sua cara. Tava achando que ia
ser moleza? SABE DE NADA, INOCENTE.
O mais irritante
nisso tudo é ficar assim sem motivo. Porque é uma puta de uma
oportunidade boa. Eu tenho a chance de estudar numa das melhores
universidades daqui – quiça do mundo (se pa). Fiz novos amigos –
muito bons amigos – que tambem estão passando por esse processo.
As pessoas aqui são gentis e pacientes. Não tem do que reclamar.
Mas ai a saudade bate junto com esse choque e ai porra fica
séria você acaba
ficando levemente estressado. Coisa super comum, mas senti essa
necessidade de colocar isso em palavras. Prometo que o próximo post
vai ser mais animado e sobre coisas legais daqui. Beijo.
sexta-feira, 28 de março de 2014
1ª semana e primeiras impressões
Estar nos Estados
Unidos ainda é meio surreal. Parece que a qualquer momento eu vou
embarcar de novo para o Brasil e que essa semana não passou de uma
semana de passeio. Corvallis é uma cidade muito bonita, as pessoas
são muito receptivas e simpáticas e todos tem muita paciencia pra
explicar as coisas pra nós, estudantes estrangeiros. E como tem
estudante estrangeiro aqui. Nessa época do mês, estamos em spring
term e os estudantes americanos
estao, na sua maioria, em casa, curtindo as férias. Enquanto isso, a
OSU é dominada por chineses, arabes, japoneses e brasileiros. Tambem
vi uma galera da Alemanha e da Russia.
minha cara no meio desse monte de chinês
Minha
ficha começou a cair de que eu to morando aqui cada vez que eu me
perco dos meus amigos brasileiros e acabo no meio desse monte de
estrangeiro. É esquisito, porque você passa a comemorar as vezes
que algum americano aparece no lugar e você entende o que ele fala.
Porque rola aquela preguiça de todo mundo falar inglês. Chinês só
fala em chinês, os arabes só conversam na língua deles e nós
brasileiros acabamos na mesma. Os únicos que eu vi que falam (ou
tentam) falar o tempo todo em inglês são os japoneses. E essa é a
hora que eu mais gosto porque é quando consigo praticar mesmo meu
inglês.
Antes
de sair do Brasil rolava aquele plano de só falar em inglês assim
que pisássemos nos EUA. Acontece que na hora que você chega aqui, é
irresistivel falar em português. Principalmente quando você sabe
tao pouco do inglês, como acontece com o nosso grupo. Claro que
alguns estao em niveis melhores que outros, mas ninguém sente a
minima vontade de sair falando em inglês quando sabe que a pessoa
entende sua língua se você escorregar. A pratica mesmo vem com as
amizades de outras culturas. Porque não adianta você falar em
português e ele na língua dele, ninguém vai entender nada. E ai
você é obrigado a usar o inglês.
Nessa
uma semana que fiquei aqui, senti que meu inglês melhorou muito. Mas
muito mesmo. E olha que eu gaguejo, falo errado, conjugo verbo
totalmente errado e tudo. Sinto o maior orgulho do mundo quando
consigo me comunicar sem ajuda. De verdade. É muito boa essa
sensação, porque enquanto você não se arrisca, nunca vai saber
que consegue. E quando consegue, nossa, que vitoria.
No
vôo vindo para cá, parei em Houston para fazer a conexão e
embarcar para Portland. Junto no voo vindo do Brasil, havia uma
garotinha de uns 3 aninhos, falando português e inglês. Eu
fiquei feito uma trouxa encarando a menininha sentindo aquela
pontinha de inveja porque ela mal aprendeu a falar e já é bilingue.
Mas ok, agora também vou ser. HA!
Para os meus amigos que me cobram atualizações, peço mil desculpas. Essa semana foi super tensa e corrida. Não consegui falar em casa direito ainda, então, por favor, peço um pouco mais de paciência. O blog ta aqui pra ajudar nessas atualizações, sintam-se a vontade pra perguntar. Beijo.
quarta-feira, 19 de março de 2014
Perspectiva
Perspectiva. Essa é
uma palavra que vem passando muito pela minha cabeça. O tempo foi
passando voando
e junto com ele a expectativa foi aumentando. Não sou só eu, são
meus pais, meus irmãos, meus primos, todos criando enorme
expectativa sobre esse momento da minha vida. Todos vivem me dizendo
“nossa, você vai
sofrer bastante, mas vai ser muito bom pra você” ou
“se prepara
porque vai ser f*da demais no começo” e
eu simplesmente fico com aquela cara de “ta, eu sei, muda o disco”
e quando eles mudam é só para pedir alguma coisa.
Gente,
não to reclamando desses pedidos, muito menos dos alertas. Eu sei
que dizem essas coisas por me querer bem, mas cara isso tá me
deixando mais ansiosa do que nunca. Faltam 2 dias para a viagem. 2
DI-AS!!!
Minha
perspectiva para essa mudança na minha vida é enorme. Acredito que
vai ser o divisor de águas da minha vida. Vou aprender a depender
única e exclusivamente de mim mesma – coisa que só faço quando
me convém, admito. Vou aprender a me virar, a me comunicar e a me
apresentar de uma forma menos intimidante – coisa que também sou
quando me convém. Mas tambem sei que vou sentir falta dos meus
amigos, das minhas coisas, dos meus pais. E isso me deixa mais triste
ainda, porque eu não queria ter essa noção. Queria simplesmente
vivê-la sem saber que vai acontecer, entendem.
Ok,
meu post tá ficando emotivo pra caramba e ninguém aqui veio ler um
post emotivo. Enfim, gente, os dias vão passando e a ansiedade só
aumenta. No começo, quando me inscrevi, não via a hora de chegar
essa semana, de viver na pele essa ansiedade. Agora que a semana
chegou, meu Deus, quero muito que ela passe mais devagar. Mas acho
que isso faz parte e vou tentar aceitar melhor. Afinal de contas, to
indo aprimorar meu inglês, a carreira que escolhi e ganhar um meio
de realizar meus sonhos. Sou a primeira da família a conseguir tal
coisa e isso é motivo mais do que suficiente para me orgulhar e me
forçar a esquecer a ansiedade. Provavelmente esse é meu ultimo post
no Brasil. Então, vejo vocês em Corvallis. Bjo <3
domingo, 2 de março de 2014
Sobre burocracia e correria
Burocracia. Essa é a palavra para os editais do Ciências Sem
Fronteiras para os Estados Unidos. Não sei como é nos demais editais, falo do
que estou vivendo nesse momento. A burocracia vem dos dois lados, tanto do
brasileiro quanto to americano. Quando você se inscreve – pelo menos foi assim
comigo – você imagina que vai rolar algum tipo de burocracia com o pedido de
visto e etc, mas é bem mais que isso. Já postei coisas sobre isso aqui, então
não vou me prolongar muito.
Hoje venho falar das coisas além da burocracia usual (common
application, pedido de visto etc), vou tentar escrever sobre o que você tem que
fazer por fora do que ta no edital. Primeiro
de tudo, quando você se inscreve num edital como esse, deve correr atrás do
passaporte. Essa é a primeira coisa que você deve fazer, antes mesmo de se
inscrever. Falo isso porque vi um monte de gente – um monte mesmo – se inscrevendo,
fazendo toefl e etc sem passaporte. Gente, como é que vai viajar sem
passaporte, me diz? Muita gente perde a chance de ir com esse simples
documento. Por quê? Porque deixou para fazer na ultima hora.
Então, meu amigo, minha amiga, se você viu aquele amigo de
classe saindo do Brasil, independente do edital, e pensou “se ele consegue, eu também consigo”, corre fazer seu passaporte. É
bem simples. Entra lá no site da policia federal e preenche o cadastro de
agendamento. Você vai ter que pagar uma pequena só que não taxa de R$157,00 e depois de mais ou menos uns
quinze dias, comparecer no local para passaporte da sua cidade. Em São Carlos
esse lugar fica na Casa do Trabalhador, bem na avenida São Carlos, próximo à
antiga prefeitura municipal. Fácil. Feito isso, você espera mais uns quinze dias
e pronto, seu passaporte lindo e cheirosinho estará pronto para uso. Agora sim,
você pode se inscrever no Ciências sem Fronteiras.
Esse
é só o começo da burocracia toda. Daí para a frente será uma corrida contra o
tempo – apesar de sempre parecer que há tempo de sobra – para conseguir documentos,
assinaturas, notas e etc. Você escolhe seu edital, se inscreve, faz o teste de proficiência
(TOEFL ITP, TOEFL IBT, IELTS ou algum outro para outras línguas além do inglês).
Quando me inscrevi, o edital oferecia a chance de fazer o Toefl ITP, que era
gratuito. A nota tirada determina em qual grupo eu ia ficar. No caso do meu
edital, o 143, os grupos eram A, B, B1 e B2. Só dava para se inscrever no A ou
no B, sua nota diria se depois você iria para o B1 ou B2. Acabei no B2. O que
na minha opinião é o mais vantajoso, uma vez que vou ficar um ano e meio nos
Estados Unidos, sendo que seis meses desse tempo de intercambio são exclusivos
para o curso de inglês. Para mim isso foi muito vantajoso. Nunca fiz inglês na
vida, nunca gastei um centavo com cursinho de inglês, e agora vou fazer um pago
pelo governo em solo americano.
Na UFSCar você tem que ter
passaporte, IRA (índice de rendimento acadêmico) alto, mais de 20% e menos de
90% de curso feito, poucas reprovações (esse é um requisito pessoal meu),
imprimir seu Histórico, calcular quanto falta para se formar e daí esperar pela
homologação da faculdade.
Feito isso, volta a burocracia. O
Common Application. Cartas de recomendação, essays, declaração do coordenador
de curso, escolha das universidades são coisas que você vai fazer nessa fase. Lembre,
poder preencher o CoApp (apelidinho “carinhoso” do Common Application) não significa
ainda que você vai – apesar de você estar bem próximo disso. Na minha humilde opinião,
essa é uma das piores fases da inscrição. Escrever essay foi um dos meus
maiores pesadelos semestre passado. Primeiro porque falar de mim sempre foi uma
dificuldade, mesmo em português. Segundo porque escrever em inglês nunca foi
meu forte. Nunca precisei escrever mais do que duas linhas – isso porque eu ia atrás
disso quando jogava RPG (outra vida, outra época, saudades) – e escrever uma
redação com 500 palavras seria um parto. Três foi meu pesadelo. E esse é o
numero. Se prepare.
Depois disso é esperar. Esperar. Esperar.
Dormir. Abrir email. Apertar F5. Esquecer que se inscreveu. Esperar mais um
pouco. Mais um pouco.... multiplique isso por cinco. Esse é o tempo que você vai
esperar pelo TOA. Só depois de receber esse lindinho é que vem a certeza que você
conseguiu.
Daí recomeça a correria por
documentos. Você tem que rubricar as paginas do TOA (todas as 13) e assinar a
14ª. Tem três dias para enviar de volta, com as assinaturas. A 15ª pagina você leva
ao coordenador do seu curso, que também vai assinar e você também deve enviar
de volta assinado. Não esqueça de postar na pagina da CAPES/CNPQ e esperar mais
um pouco. Daí vai ser email atrás de email da capes pedindo alguma coisa. O TOA
(que você já mandou uma vez), o Termo de Compromisso assinado, as cartas de
concessão, histórico sujo, ficha criminal (limpa né, minha gente) entre outras
coisas.
Por fora, você tem que abrir uma
conta num banco qualquer, tentar – eu disse tentar porque provavelmente vai
demorar também – abrir uma conta no BB Américas, fazer uma declaração de plenos
poderes para algum parente de confiança que ficará no Brasil, separar os
documentos que vai levar na semana do Visa (porque vai ser junto com a correria
toda de documentos que você tem que mandar). Se tiver algum estágio ou IC,
cancelar a bolsa o mais rápido possível, porque se não você não recebe sua
parcela inicial da bolsa do CsF. Nesse caso, alem de tudo isso, você ainda vai
ter que fazer seu relatório de IC, então se planeje muito bem. Ah, também tem
que tomar vacinas que sua universidade americana pedir, preencher formulários online
que o advisor pedir, comprar passagem
para a cidade – lembrando que deve desembarcar na mesma cidade que seu TOA
mandar, independente de você ir um mês antes ou não. Ufa!! Agora sim, você pode contar os dias. (que são 20, mas quem ta contando? ).
Fala a verdade. É tanta coisa que até o post ficou gigante. Logo eu farei um post sobre o Visa Day em São Paulo. Beijo grande.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Faz tempo que não escrevo. Alias, faz tempo que não dá tempo
de atualizar o blog. Sem contar a falta de assunto, né minha gente. Para aqueles
leitores de primeira viagem ~ou lida~ que não sabem, ainda não fui para Corvallis,
cidade onde fica localizada a linda da Oregon State University (OSU para os
íntimos). A data que consta no meu TOA é de 24 de março, mas minha adivisor disse que podemos chegar no dia
23. Decidi, então, que viajar no dia 22 é a melhor pedida. Porque chegarei dia
23 e ainda terei tempo de me adaptar ao fuso horário. Mas não foi isso que vim
falar.
Depois da espera infinita pelo TOA, eis uma nova
espera: o termo de compromisso da CAPES/CNPQ. Às vésperas do grupo B2 do edital
143 viajar, pouca gente havia recebido esses benditos termos. Mas o que eles
são? Bom, nada mais do que o contrato assinado por você que vai permitir
receber bolsa. Como todo contrato, tem direitos e, mais importante, DEVERES. Por
que em caixa alta? Bom, tem gente que não entende isso, então é para destacar
mesmo. Enfim.
Depois de reclamar muito pela demora, de ler noticia na
Folha, de compartilhar nas redes sociais, mimimi e wiskas sache, eis que meu
termo chegou ontem. (Deixo aqui um parênteses para agradecer imensamente pela
moderação do grupo B2 existir, porque eu fiquei perdida na quantidade de coisa
que temos que fazer. Junte isso aos milhões de documentos que tenho que levar
no dia do visto, pagar hotel, aprender qual metro eu pego e a quanto tempo
antes do horário, eu fiquei muito perdida. Então, moderação do B2 (Py, Bueno e
Adriele) meu imenso OBRIGADO POR TUDO. Sem vocês, eu teria que fazer resumo pra
entender toda essa papelada kkk.)
Mais um monte de papel, documento assinado, enviado e
pronto. Parece pouco, mas para aqueles que estão começando se preparem porque o
“bagulho é tenso”. Vocês vão sentir
falta do Commom Application. Sério.
Mas o importante MESMO é que essa semana ainda (oremos com
força e fé) a bolsa cai e eu posso comprar minha passagem. E ainda FALTAM 32
DIAS PARA OREGON STATE UNIVERSITY!!!!
mais ou menos o que to sentindo: mix de medo e ansiedade
sábado, 1 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
MEU TOA CHEGOOOOOOOU
Sabe aquele dia que você não espera nada de nada? Aquele dia
que você desanimou, se desenganou, praticamente desistiu de esperar? Pois é. Foram
tantas mudanças de prazo, tantos emails acabando com a minha ilusão que eu
praticamente desisti. Pensei: só porque
eu desencanei dessa m*rda ele vai chegar hoje. Qual não foi a minha alegria
quando essa frase se confirmou no dia 28/01, mais exatamente às 19:11.
Nem no computador socando apertando o F5 a cada dois
minutos eu estava. Foi o dia que eu realmente desisti de ficar no computador. Também
pudera né, gente? O calor que tem feito nos últimos dias praticamente expulsa a
gente da frente do computador. Naquele dia eu simplesmente fiquei deitada numa
piscina, curtindo meu momento diva esperando o horário de verão levar o
sol lá pelas oito da noite, porque dormir nesse calor ta soda.
Enfim. Quando eu finalmente sentei no computador e abri meu
email o lindo, divo, maravilhoso, tão esperado TOA estava na minha caixa de
email!!
Mas felicidade mesmo é saber que vou exatamente para a
universidade que eu queria. A lindíssima da Oregon State University (leia mais sobre ela nesse post). Escolhi
ela por muitos motivos diferentes, mas o principal foi a preocupação deles para
com o meio ambiente e o envolvimento da Química nisso. Além da cidade,
Corvallis, ser muito bonita e ter aquela cara típica de cidade universitária e
pequena. Já me senti em casa.
Agora é só começar os planos, preencher os documentos,
correr atrás do coordenador do curso, do coordenador da mobilidade acadêmica da
faculdade, fazer contato com advisor,
visto, mala e ... OMG É MUITA COISA AINDA!!
Enfim, gente. Espero que gostem do blog, que curtam,
comentem e acompanhem, porque a jornada é longa. Bjo grande!
domingo, 26 de janeiro de 2014
Sobre as minhas opções de universidade
Eu decidi escrever um post sobre as universidades que
coloquei como opção no meu Common Application (leia mais sobre ele aqui –
porque eu tenho preguiça de falar sobre essa burocracia toda do CoApp, sem
contar que o post da Adriene ta muito mais divo e bem explicado do que qualquer
tentativa minha.). Muitos amigos da UFSCar me perguntam quais critérios eu usei
na escolha das três opções que podemos dar no preenchimento do CoApp e eu acho
útil dividir isso aqui.
Primeiro de tudo quando eu me inscrevi no CSF, mais
especificamente para o edital dos Estados Unidos, eu não conhecia muitas
universidades americanas (shame on me) além das clássicas Harvard, Yale, MIT etc.
que aparecem nos filmes e seriados (e de vez em quando em algum artigo da
faculdade). É uma vergonha ter que admitir isso, mas é verdade. Talvez porque
eu nunca cogitei que um dia conseguiria ir para os Estados Unidos com o
objetivo de estudar. Nunca me passou pela cabeça, nem nos sonhos mais
ambiciosos. Quando eu me inscrevi, foi totalmente por acaso. O pessoal no grupo
do Facebook que também se inscreveu nesse edital (143) tem sonhos e objetivos
bem definidos, enquanto que quando eu me inscrevi, eu pensava que se não desse
certo eu me formaria de boa na UFSCar e continuaria minha vida. Simples.
Mas não foi assim que as coisas aconteceram. E eu me vi na
situação de ter que conhecer mais sobre as universidades americanas. Mas e ai né, como começar? Comecei usando o
bom e velho Google (e as dicas da galera no grupo –cof). Fui meio na
ingenuidade e joguei na pesquisa algo como “top 100 Chemistry Universities on
USA”. E o Google me deu uma lista enorme de sites com os mais diversos
rankings. Fiquei mais perdida do que no começo.
Daí eu usei um link que disponibilizaram no grupo do
facebook (gente, é sério, se não fosse esse grupo eu não teria colocado
universidade nenhuma). Depois da busca no Google ter se mostrado fail, usei
esse link aqui e fiquei fuçando. Também entrei no site da UFSCar e fui atrás de encontrar
quais universidades americanas tinham convenio com a minha. Isso facilitou
MUITO minha vida depois. Foi assim que consegui a minha primeira opção.
Purdue University
Depois de achar esse nome na lista da UFSCar, na pequena enorme
lista do Google e no Princeton review decidi fuçar e descobrir mais sobre ela. Comecei
procurando as linhas de pesquisa em Química, o que me agradou muito. Vi que lá
eles têm muita coisa relacionada à Química Forense (uma área pouco explorada
nas universidades brasileiras) e Química Médica. Essas duas áreas me atraem
muito. Química forense pelo simples fato de eu ser viciada em CSI (sim, eu
admito minhas excentricidades cretinas) e sempre ter achado essa área pouco
explorada na faculdade. Qual é? É tão legal usar química pra descobrir coisas
~ocultas~ no dia-a-dia!! Química médica é de meu interesse pessoal desde
pequena. Mais especificamente a parte médica da coisa, porque antes de fazer
Química eu tencionava fazer Medicina e depois que entrei na graduação e
descobri que dá para chegar mais perto da med. e ainda continuar amando química,
isso virou meio que um novo sonho.
Saber que a Purdue não só tinha convenio com a UFSCar, como também
oferecia material para essas duas áreas a destacou. Outra coisa que a destacou
foram os dorms oferecidos. Mais uma vez eu admito que fui meio supérflua e excêntrica.
Mas eu tinha que saber onde é que eu ia me meter no quesito morar, então esse também
foi um dos meus critérios.
Oregon State
University
Sobraram duas opções para escolher. Isso significa que a
duvida voltou toda outra vez. Decidi pedir ajuda. Em 2012 eu fiz iniciação
científica num laboratório de microorganismos. Essa é uma área pela qual me
apaixonei quando conheci mais profundamente. Sempre curti a parte Produtos
Naturais (pela ligação com a pesquisa de fármacos) desde que entrei na
graduação. Dessa área acabei conhecendo a Microbiologia e a Bioquímica e assim
comecei minha IC no Laboratório de Bioquímica Micromolecular de Microorganismos
do Departamento de Química na UFSCar. É uma linha de pesquisa muito
interessante e quem tiver vontade de saber mais sobre, clica aqui. Pedi
ajuda ao meu antigo orientador (porque quando me inscrevi no CSF já não trabalhava
lá) e ele me indicou algumas universidades boas na área. Foi assim que cheguei
na minha segunda opção, a Oregon State University.
E quanta pesquisa nessa área me encantou no site da
universidade. Fora que a cidade onde ela fica, Corvallis, é linda demais pelas
fotos. Foi paixão a primeira visita ao site. Quase a coloquei como primeira
opção. Mas como não ouvi de nenhum csf que foi para lá e ela não tem convenio
com a minha universidade brasileira, acabou ficando como segunda opção mesmo.
Arizona State
University
A terceira opção foi mais fácil de conseguir do que a
segunda, uma vez que ela era a segunda opção. Enquanto eu buscava pela primeira,
conheci um pouco mais sobre a Arizona State University. Além de ser uma
excelente universidade na área de Química, ela também tem linhas de pesquisa
ligadas a Produtos Naturais, Química Forense e Química Ambiental, minha atual área.
No ano de 2013 tive a oportunidade de estagiar na Embrapa de São Carlos com
tratamento de resíduos de laboratório. Aprendi muito com esse estágio. Inclusive
que da para juntar quase todas as áreas da Química nesse tópico. E nisso, as
minhas três opções são muito boas.
De qualquer forma, qualquer uma dessas opções me fará uma
pessoa extremamente feliz, caso meu ToA venha de uma delas. Se não vier, tenho
certeza que serei alocada em outra universidade tão boa quanto. Agora só resta
esperar mesmo.
Mudança de planos
Infelizmente vou ter que mudar a plataforma (é assim que
fala? Não entendo dessas coisas kkk) do blog por motivo de: minha família não
consegue comentar no tumblr. Amo demais o tumblr para simplesmente deletar o Indefinita Ve assim do nada, então vou
manter para poder colocar as fotos que eu tirar de onde quer que eu vá. (Para aqueles que quiserem acompanhar no tumblr, com as imagens e tal, é só clicar ali no nome do blog que já será levado para lá. Fotos serão colocadas lá toda semana depois que eu chegar nos EUA. Também tem meus posts inciais, caso queira acompanhar.)
Uma rápida atualização sobre a nossa situação: ainda não
teve ToA. Cada semana que passa a agonia só cresce e a cada dia que achamos que teremos ToA a decepção nos
dá um tapa na cara sem dó nem piedade.
Diz a lenda (fonte: Py) que amanhã, segunda, dia 27/01
começam a mandar. Mas já vi tantas previsões que não deram em nada que não sei
se acredito mesmo. Uma pontinha de esperança sempre fica né, mas vamos ver. Prefiro
não me iludir de novo (mesmo que começar amanhã, o meu virá no meio da semana).
A verdade é que dessa semana não passa. Então o jeito é esperar. Logo logo eu
posto mais coisas. Provavelmente alguma coisa sobre as minhas três opções de
Universidade. Beijo.
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